Os novos autores e as portas fechadas das editoras tradicionais
Esta semana reuni-me com um grupo de escritores para uma conversa informal sobre algo de que se fala à boca miúda: a relação unilateral entre autores (sem rede de networking ou visibilidade) e as editoras tradicionais. Foi uma conversa dura, mas honesta, embora alguns dos participantes tenham publicado em editoras deste segmento.
A esmagadora maioria dos manuscritos de novos autores, que representam um risco comercial, não chega a ser lida. As submissões ficam sem resposta durante meses, ou mesmo anos. É compreensível que editores que recebem centenas de propostas por mês, por razões que nem sempre têm a ver com a qualidade do original, não consigam chegar a tudo. Além do risco, o número de manuscritos enviados sem preparação séria não ajuda. Esta é a realidade do mercado, não uma acusação a qualquer das partes.
Mas há escolhas que me têm levado a refletir. Alguns destes escritores estão a repensar o seu caminho.
Uma (ainda) minoria dos autores com quem trabalho tem optado pela publicação independente, sem sequer considerar a via tradicional. Justificam a escolha com o controlo total sobre a obra, os prazos que dependem apenas deles, distribuição internacional e ganhos superiores por exemplar vendido. Quando o livro é bom, nenhum crivo editorial substitui o passa-palavra.
No entanto, o preconceito ainda existe. Há leitores que hesitam diante de um livro autopublicado, associando-o a falta de qualidade, já que não foi sujeito à triagem de um editor. Por isso, a melhor forma de entrar neste mercado passa pelo cuidado na apresentação: revisão rigorosa, paginação e capa profissionais e marketing estratégico — detalhes técnicos resolúveis. Mas importa sempre frisar o óbvio: o comprometimento do autor com a qualidade do que escreve.
Entendo cada vez mais que a questão não é se a autopublicação é legítima, a questão é como é feita. Afinal, autopublicar não tira qualidade a uma boa história, nem a um livro tecnicamente conseguido.
Noutros países a publicação independente já é porta de entrada para republicação em editoras tradicionais. Acredito que em breve o mercado português seguirá o mesmo caminho.
Se tens um manuscrito e estás a ponderar publicar de forma independente, ou simplesmente te perguntas se vale a pena continuar a esperar por uma editora tradicional, conta-me como está o teu projeto. Não tenho respostas absolutas, mas posso ajudar-te a perceber o que faz mais sentido.
Como nota de rodapé, ainda te podes inscrever na oficina “O Narrador Como Arma Narrativa”. Quase a fechar.
Abraço,
Lara


